Somos filhos da época
e a época é política.
Todas as tuas, nossas, vossas coisas
diurnas e noturnas,
são coisas políticas.
Querendo ou não querendo,
teus genes têm um passado político,
tua pele, um matiz político,
teus olhos, um aspecto político.
O que você diz rem ressonância,
o que silencia tem um eco
de um jeito ou de outro político.
Até caminhando e cantando a canção
você dá passos políticos
sobre um solo político.
Versos apolíticos também são políticos,
e no alto a lua ilumina
com um brilho já pouco lunar.
Ser ou não ser, eis a questão.
Qual questão, me dirão.
Uma questão política.
Não precisa nem mesmo ser gente
para ter significado político.
Basta ser petróleo bruto,
ração concentrada ou matéria reciclável..
Ou mesa de conferência cuja forma
se discutia por meses a fio:
deve-se arbitrar sobre a vida e a morte
numa mesa redonda ou quadrada.
Enquanto isso matavam-se os homens,
morriam os animais,
ardiam as casas,
ficavam ermos os campos,
como em épocas passadas
e menos políticas.
Wislawa Szymborska
IN: SZYNBORSKA, Wislawa. Poemas. Seleção, tradução e prefácio de Regina Przybycien. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 77-78.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Lanterna Dos Afogados
Herbert Vianna
Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar
Há uma luz no túnel Dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar
Eu estou na lanterna dos afogados
Eu estou te esperando
Vê se não vai demorar
Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mais ainda sei me virar
Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar
Herbert Vianna
Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar
Há uma luz no túnel Dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar
Eu estou na lanterna dos afogados
Eu estou te esperando
Vê se não vai demorar
Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mais ainda sei me virar
Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar
Marcadores:
canção,
letra de música
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Uma lupicínica
AVES DANINHAS
Lupicínio Rodrigues
Composição : Lupicínio Rodrigues
Eu não quero falar com ninguém
Eu prefiro ir pra casa dormir
Se eu vou conversar com alguém
As perguntas se vão repetir
Quando eu estou em paz com meu bem
Ninguém por ela vem perguntar
Mas sabendo que andamos brigados
Esses malvados querem me torturar
Se eu vou a uma festa sozinho
Procurando esquecer o meu bem
Nunca falta um engraçadinho
Perguntando ela hoje não vem
Já não chegam essas mágoas tão minhas
A chorar nossa separação
Ainda vem essas aves daninhas
Beliscando o meu coração.
Lupicínio Rodrigues
Composição : Lupicínio Rodrigues
Eu não quero falar com ninguém
Eu prefiro ir pra casa dormir
Se eu vou conversar com alguém
As perguntas se vão repetir
Quando eu estou em paz com meu bem
Ninguém por ela vem perguntar
Mas sabendo que andamos brigados
Esses malvados querem me torturar
Se eu vou a uma festa sozinho
Procurando esquecer o meu bem
Nunca falta um engraçadinho
Perguntando ela hoje não vem
Já não chegam essas mágoas tão minhas
A chorar nossa separação
Ainda vem essas aves daninhas
Beliscando o meu coração.
domingo, 27 de março de 2011
RILKE-AUGUSTO
DER DICHTER
Du entfernst dich von mir, du Stunde,
Wunder schlägt mir dein flügleschlag.
Allein: was soll ich mit meinem Munde?
Ich habe keine Geliebte, kein Haus,
keine Stelle, auf der ich lebe.
Alle Dinge, an die ich mich gebe,
werden reich und geben mich aus.
Rainer Maria Rilke
O POETA
Já te despedes de mim, Hora.
Teu golpe de asa é o meu açoite.
Só: que fazer da boca, agora?
Que fazer do dia, da noite?
Sem paz, sem amor, sem teto,
caminho pela vida afora.
Tudo aquilo em que ponho afeto
fica mais rico e me devora.
Tradução: Augusto de Campos
CAMPOS, Augusto de. Rilke: poesia-coisa. Rio de Janeiro: Imago, 1994.
Du entfernst dich von mir, du Stunde,
Wunder schlägt mir dein flügleschlag.
Allein: was soll ich mit meinem Munde?
Ich habe keine Geliebte, kein Haus,
keine Stelle, auf der ich lebe.
Alle Dinge, an die ich mich gebe,
werden reich und geben mich aus.
Rainer Maria Rilke
O POETA
Já te despedes de mim, Hora.
Teu golpe de asa é o meu açoite.
Só: que fazer da boca, agora?
Que fazer do dia, da noite?
Sem paz, sem amor, sem teto,
caminho pela vida afora.
Tudo aquilo em que ponho afeto
fica mais rico e me devora.
Tradução: Augusto de Campos
CAMPOS, Augusto de. Rilke: poesia-coisa. Rio de Janeiro: Imago, 1994.
sábado, 26 de março de 2011
artigos para presente
aos corações namorados
desejo uma forração de pneu
para tratores, é desnivelada
a estrada do amor
e o raro dom de transformar
as máquinas pesadas da convivência
em miniaturas de máquinas pesadas
da convivência
uma jaqueta corta-frio para distâncias
convenientes e forçadas, brigas de quarta
série primária e joguinhos de salão
ao relento. já aos corações devotados
aos seus corações namorados desejo,
sobretudo, o enrosco, aquele laço fatal
do nhenhenhem do carinho e o tempo
medido por um relógio de pulso quebrado.
Bruna Beber
BEBER, Bruna. Balés. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2009, p. 21.
desejo uma forração de pneu
para tratores, é desnivelada
a estrada do amor
e o raro dom de transformar
as máquinas pesadas da convivência
em miniaturas de máquinas pesadas
da convivência
uma jaqueta corta-frio para distâncias
convenientes e forçadas, brigas de quarta
série primária e joguinhos de salão
ao relento. já aos corações devotados
aos seus corações namorados desejo,
sobretudo, o enrosco, aquele laço fatal
do nhenhenhem do carinho e o tempo
medido por um relógio de pulso quebrado.
Bruna Beber
BEBER, Bruna. Balés. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2009, p. 21.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
pra curtir no carnaval ou na quaresma e sempre
Quando Você Voltar
Legião Urbana
Composição: Renato Russo
Vai, se você precisa ir
Não quero mais brigar esta noite
Nossas acusações infantis
E palavras mordazes que machucam tanto
Não vão levar a nada, como sempre
Vai, clareia um pouco a cabeça
Já que você não quer conversar.
Já brigamos tanto
Mas não vale a pena
Vou ficar aqui, com um bom livro ou com a TV
Sei que existe alguma coisa incomodando você
Meu amor, cuidado na estrada
E quando você voltar
Tranque o portão
Feche as janelas
Apague a luz
e saiba que te amo..
Legião Urbana
Composição: Renato Russo
Vai, se você precisa ir
Não quero mais brigar esta noite
Nossas acusações infantis
E palavras mordazes que machucam tanto
Não vão levar a nada, como sempre
Vai, clareia um pouco a cabeça
Já que você não quer conversar.
Já brigamos tanto
Mas não vale a pena
Vou ficar aqui, com um bom livro ou com a TV
Sei que existe alguma coisa incomodando você
Meu amor, cuidado na estrada
E quando você voltar
Tranque o portão
Feche as janelas
Apague a luz
e saiba que te amo..
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
OFF PRICE
Que a sorte me livre do mercado
e que me deixe
continuar fazendo (sem o saber)
fora de esquema
meu poema
inesperado
e que eu possa
cada vez mais desaprender
de pensar o pensado
e assim poder
reinventar o certo pelo errado
Ferreira Gullar
GULLAR, Ferreira. Em alguma parte alguma. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010, p. 35.
e que me deixe
continuar fazendo (sem o saber)
fora de esquema
meu poema
inesperado
e que eu possa
cada vez mais desaprender
de pensar o pensado
e assim poder
reinventar o certo pelo errado
Ferreira Gullar
GULLAR, Ferreira. Em alguma parte alguma. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010, p. 35.
sábado, 15 de janeiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Lota de Macedo Soares
Lembro-me bem de minha roupa cor de vinho
E pérola e do guarda-chuva
Que também tinha cor de sangue
Aguardando tua chegada sob a chuva
Meu peito sem rédea era socado por pedras
À simples pronúncia do teu nome
Um jardim morto
Era o que havia então
Onde fui bela e forte e tu eras amada
Lembro-me bem do meu pranto de meretriz
Dos escândalos que fiz e do consolo infeliz
Que tu me davas com aquela maldita frase
De Oscar Wilde:
"Os corações existem para serem despedaçados"
Iracema Macedo
MACEDO, Iracema. Poemas inéditos e outros escolhidos. Natal: Sebo Vermelho, 2010, p. 34.
E pérola e do guarda-chuva
Que também tinha cor de sangue
Aguardando tua chegada sob a chuva
Meu peito sem rédea era socado por pedras
À simples pronúncia do teu nome
Um jardim morto
Era o que havia então
Onde fui bela e forte e tu eras amada
Lembro-me bem do meu pranto de meretriz
Dos escândalos que fiz e do consolo infeliz
Que tu me davas com aquela maldita frase
De Oscar Wilde:
"Os corações existem para serem despedaçados"
Iracema Macedo
MACEDO, Iracema. Poemas inéditos e outros escolhidos. Natal: Sebo Vermelho, 2010, p. 34.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Noturno recifense
Passou ao largo o vendedor de flores.
- Estou sozinho.
Logo aqui onde outrora os belos destinos
floresciam.
Nem me notou o vendedor de flores.
- Estou sozinho.
Sabedor que a noite não é de pássaros erradios
nem me olhou o vendedor de flores.
Vindo de céus olvidados pousou um anjo.
Por ele e por mim passou, sem nos ligar,
o vendedor de flores -
que o nosso jardim não carece delas.
Benito Barros
BARROS, Benito. Cemitério de pipas. Macau: ICEC, 1998, p. 109.
- Estou sozinho.
Logo aqui onde outrora os belos destinos
floresciam.
Nem me notou o vendedor de flores.
- Estou sozinho.
Sabedor que a noite não é de pássaros erradios
nem me olhou o vendedor de flores.
Vindo de céus olvidados pousou um anjo.
Por ele e por mim passou, sem nos ligar,
o vendedor de flores -
que o nosso jardim não carece delas.
Benito Barros
BARROS, Benito. Cemitério de pipas. Macau: ICEC, 1998, p. 109.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Aboio
Aboio
Caetano Veloso
Urbe imensa
Pense o que é e será e foi
Pensa no boi
Enigmática máscara boi
Tem piedade
Megacidade
Conta teus meninos
Canta com teus sinos
A felicidade intensa
Que se perde e encontra em ti
Luz dilui-se
E adensa-se
Pensa-te
© Uns Produções Artísticas Ltda
Caetano Veloso
Urbe imensa
Pense o que é e será e foi
Pensa no boi
Enigmática máscara boi
Tem piedade
Megacidade
Conta teus meninos
Canta com teus sinos
A felicidade intensa
Que se perde e encontra em ti
Luz dilui-se
E adensa-se
Pensa-te
© Uns Produções Artísticas Ltda
Beira-mar
Beira-Mar
letra e música - Zé Ramalho
Eu entendo a noite como um oceano
Que banha de sombras o mundo de sol
Aurora que luta por um arrebol
De cores vibrantes e ar soberano
Um olho que mira nunca o engano
Durante o instante que vou contemplar
Além, muito além, onde quero chegar
Caindo a noite me lanço no mundo
Além do limite do vale profundo
Que sempre começa na beira do mar
Por dentro das águas há quadros e sonhos
E coisas que sonham o mundo dos vivos
Peixes milagrosos, insetos nocivos
Paisagens abertas, desertos medonhos
Léguas cansativas, caminhos tristonhos
Que fazem o homem se desenganar
Há peixes que lutam para se salvar
Daqueles que caçam em mar revoltoso
Outros que devoram com gênio assombroso
As vidas que caem na beira do mar
Até que a morte eu sinta chegando
Prossigo cantando, beijando o espaço
Além do cabelo que desembaraço
Invoco as águas a vir inundando
Pessoas e coisas que vão arrastando
Do meu pensamento já podem lavar
No peixe de asas eu quero voar
Sair do oceano de tez poluída
Cantar um galope fechando a ferida
Que só cicatriza na beira-do-mar
© EMI Songs do Brasil Edições Musicais Ltda.
Ficha técnica da faixa
violão e voz: Zé Ramalho
letra e música - Zé Ramalho
Eu entendo a noite como um oceano
Que banha de sombras o mundo de sol
Aurora que luta por um arrebol
De cores vibrantes e ar soberano
Um olho que mira nunca o engano
Durante o instante que vou contemplar
Além, muito além, onde quero chegar
Caindo a noite me lanço no mundo
Além do limite do vale profundo
Que sempre começa na beira do mar
Por dentro das águas há quadros e sonhos
E coisas que sonham o mundo dos vivos
Peixes milagrosos, insetos nocivos
Paisagens abertas, desertos medonhos
Léguas cansativas, caminhos tristonhos
Que fazem o homem se desenganar
Há peixes que lutam para se salvar
Daqueles que caçam em mar revoltoso
Outros que devoram com gênio assombroso
As vidas que caem na beira do mar
Até que a morte eu sinta chegando
Prossigo cantando, beijando o espaço
Além do cabelo que desembaraço
Invoco as águas a vir inundando
Pessoas e coisas que vão arrastando
Do meu pensamento já podem lavar
No peixe de asas eu quero voar
Sair do oceano de tez poluída
Cantar um galope fechando a ferida
Que só cicatriza na beira-do-mar
© EMI Songs do Brasil Edições Musicais Ltda.
Ficha técnica da faixa
violão e voz: Zé Ramalho
domingo, 7 de novembro de 2010
Lírica espanhola
ROSA DE MELANCOLIA
Era eu noutro tempo um pastor de estrelas,
e a vida era como luminoso canto.
Um símbolo eram as coisas mais belas
para mim: a rosa, a menina, o acanto.
E era a harmoniosa voz do mundo, u'a
onda azul que rompe na praia de ouro,
cantando o oculto poderio da lua
sobre os destinos do humano coro.
Dava-me Epicuro suas ânforas cheias,
um fauno me dava sua agreste alegria,
um pastor da Arcádia, mel de suas colmeias.
Mas até o sonho navegando um dia,
escutei distante canto de sereias
e adoeceu minha alma de Melancolia.
Ramón María del Valle-Inclán
Tradução: Fábio Aristimunho Vargas
IN: VARGAS, Fábio A (Org.). Poesia espanhola. Das origens à guerra civil. São Paulo: Hedra, 2009, p. 96.
Era eu noutro tempo um pastor de estrelas,
e a vida era como luminoso canto.
Um símbolo eram as coisas mais belas
para mim: a rosa, a menina, o acanto.
E era a harmoniosa voz do mundo, u'a
onda azul que rompe na praia de ouro,
cantando o oculto poderio da lua
sobre os destinos do humano coro.
Dava-me Epicuro suas ânforas cheias,
um fauno me dava sua agreste alegria,
um pastor da Arcádia, mel de suas colmeias.
Mas até o sonho navegando um dia,
escutei distante canto de sereias
e adoeceu minha alma de Melancolia.
Ramón María del Valle-Inclán
Tradução: Fábio Aristimunho Vargas
IN: VARGAS, Fábio A (Org.). Poesia espanhola. Das origens à guerra civil. São Paulo: Hedra, 2009, p. 96.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
leminskiana
Esta vida de eremita
é, às vezes, bem vazia.
Às vezes, tem visita.
Às vezes, apenas esfria.
Paulo Leminski
LEMINSKI, Paulo. La vie en close. São Paulo: Brasiliense, 1991, p. 70.
é, às vezes, bem vazia.
Às vezes, tem visita.
Às vezes, apenas esfria.
Paulo Leminski
LEMINSKI, Paulo. La vie en close. São Paulo: Brasiliense, 1991, p. 70.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Cais
Milton Nascimento
Composição: Milton Nascimento/Ronaldo Bastos
Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar
Milton Nascimento
Composição: Milton Nascimento/Ronaldo Bastos
Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar
sábado, 11 de setembro de 2010
Se me olham
Por que quase tudo perdi,
tornei-me sem adereços.
Nada existe que me tire
de mim mesma.
Nem mesmo esses cadáveres
de plástico em seus simulacros
de alabastro.
Se me olham, não me alcançam.
Nem ouvem o que minha alma diz:
Não quero mais o que jamais quis.
Marize Castro
IN: CASTRO, Marize. Lábios-espelhos. Natal: Una, 2009, p. 37.
tornei-me sem adereços.
Nada existe que me tire
de mim mesma.
Nem mesmo esses cadáveres
de plástico em seus simulacros
de alabastro.
Se me olham, não me alcançam.
Nem ouvem o que minha alma diz:
Não quero mais o que jamais quis.
Marize Castro
IN: CASTRO, Marize. Lábios-espelhos. Natal: Una, 2009, p. 37.
apanhado
de certos ritmos
quase em segredo
como que a roçar
uma como que pele da alma
e a desmatar de onde
inflexões de onde
de onde dos quintais
de onde dos porões
da umidade de onde
do silêncio de onde
da noite e breu
de onde e o que mais
se a tanto
pequena percussão
pelo menos um rastro
vida afora
Júlio Castañon Guimarães
In: Poemas (1975-2005). São Paulo: Cosacnaify, 2006.
quase em segredo
como que a roçar
uma como que pele da alma
e a desmatar de onde
inflexões de onde
de onde dos quintais
de onde dos porões
da umidade de onde
do silêncio de onde
da noite e breu
de onde e o que mais
se a tanto
pequena percussão
pelo menos um rastro
vida afora
Júlio Castañon Guimarães
In: Poemas (1975-2005). São Paulo: Cosacnaify, 2006.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Outro princípio de incêndio
...a tua cabeleira feita de sombras negras...
Mário Quintana
IN: QUINTANA, Mário. Nova antologia poética.São Paulo: Globo, 2007, p. 125.
Mário Quintana
IN: QUINTANA, Mário. Nova antologia poética.São Paulo: Globo, 2007, p. 125.
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