EL AMOR DUERME EN EL PECHO DEL POETA
Tú nunca entenderás lo que te quiero
porque duermes em mí y estás dormido.
Yo te oculto llorando, perseguido
por una voz de penetrante acero.
Norma que agita igual carne y lucero
trespasa ya mi pecho dolorido
y las turbias palabras han mordido
las alas de tu espíritu severo.
Grupo de gente salta en los jardines
esperando tu cuerpo y mi agonía
en caballos de luz y verdes crines.
Pero sigue durmiendo, vida mía.
!Oye mi sangre rota en los violines!
!Mira que nos acechan todavía!
Federico García Lorca
O AMOR DORME NO PEITO DO POETA
Não mais entenderás quanto eu te quero,
porque em mim dormes e estás adormecido.
Eu escondo-te a chorar, e perseguido
por uma voz de aço que penetra.
Regra que a carne e o esplendor excita,
trespassa já meu peito dolorido
e as túrbidas palavras já morderam
as asas do teu severo espírito.
Há pessoas que saltam nos jardins
esperando o teu corpo e minha agonia,
em cavalos de luz e verdes crinas.
Mas vai tu dormindo, vida minha.
Ouve o meu sangue solto nos violinos!
Ainda há gente, vê, que nos espia!
Federico García Lorca
LORCA, Federico García. Amor obscuro.Tradução de António Moura. Lisboa: Hiena, 1992.
sábado, 27 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
A FEDERICO GARCÍA LORCA
Sobre teu corpo, que há dez anos
se vem transfundindo em cravos
de rubra cor espanhola,
aqui estou para depositar
vergonha e lágrimas.
Vergonha de há tanto tempo
viveres - se morte é vida -
sob chão onde esporas tinem
e calcam a mais fina grama
e o pensamento mais fino
de amor, de justiça e paz.
Lágrimas de noturno orvalho,
não de mágoa desiludida,
lágrimas que tão-só destilam
desejo e ânsia e certeza
de que o dia amanhecerá.
(Amanhecerá.)
Esse claro dia espanhol,
composto na treva de hoje,
sobre teu túmulo há de abrir-se,
mostrando gloriosamente
- ao canto multiplicado
de guitarra, gitano e galo -
que para sempre viverão
os poetas martirizados.
Carlos Drummond de Andrade
IN: ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003,p. 237.
se vem transfundindo em cravos
de rubra cor espanhola,
aqui estou para depositar
vergonha e lágrimas.
Vergonha de há tanto tempo
viveres - se morte é vida -
sob chão onde esporas tinem
e calcam a mais fina grama
e o pensamento mais fino
de amor, de justiça e paz.
Lágrimas de noturno orvalho,
não de mágoa desiludida,
lágrimas que tão-só destilam
desejo e ânsia e certeza
de que o dia amanhecerá.
(Amanhecerá.)
Esse claro dia espanhol,
composto na treva de hoje,
sobre teu túmulo há de abrir-se,
mostrando gloriosamente
- ao canto multiplicado
de guitarra, gitano e galo -
que para sempre viverão
os poetas martirizados.
Carlos Drummond de Andrade
IN: ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003,p. 237.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Rua Dr. Barata

E de repente Natal
virou mesmo Hollywood.
Passeava o Rei Faissal,
Tyrone Power e Roosevelt.
Evita Peron, Joe Brown,
Bernhardt of Hetherlands,
Eva Curie, Eisenhower,
e o Admiral Briggs.
Inglês emergencial
até pra quem não estude:
Good morning matinall
e à noite, Mary Good.
Vão da Ribeira ao Tirol
sugestões para que mude
o idioma nacional
por um outro, very good.
Wonder Bar monumental.
Juke-box, sounds good.
Tão de repente Natal
virou mesmo Hollywood.
Paulo de Tarso Correia de Melo
In: MELO, Paulo de Tarso Correia de.Folhetim cordial da guerra em Natal e Cordial folhetim da guerra em Parnamirim.2 ed. Natal: Edufrn, 2008, p. 27.
domingo, 7 de março de 2010
O Rilke concreto
I, 22
Wir sind die Treibendem.
Aber den Schritt der Zeit,
nehmt ihn als Kleinigkeit
im immer Bleibendem.
Alles das Eilende
wird schon vorüber sein;
denn das Verweilende
erst weiht uns ein.
Knaben, o werft den Mut
nicht in die Schnelligkeit,
nicht in den Flugversuch.
Alles ist ausgeruht:
dunkel und Helligkeit,
Blume und Buch.
Rainer Maria Rilke
I, 22
A nós, nos cabe andar.
Mas o tempo, os seus passos,
são mínimos pedaços
do que há de ficar.
É perda pura
tudo o que é pressa;
só nos interessa
o que sempre dura.
JOvem, não há virtude
na velocidade
e no voo, aonde for.
Tudo é quietude:
escuro e claridade,
livro e flor.
Tradução: Augusto de Campos
IN: CAMPOS, Augusto de. Rilke: poesia-coisa.Rio de Janeiro: Imago, 1994, p. 66-67.
Wir sind die Treibendem.
Aber den Schritt der Zeit,
nehmt ihn als Kleinigkeit
im immer Bleibendem.
Alles das Eilende
wird schon vorüber sein;
denn das Verweilende
erst weiht uns ein.
Knaben, o werft den Mut
nicht in die Schnelligkeit,
nicht in den Flugversuch.
Alles ist ausgeruht:
dunkel und Helligkeit,
Blume und Buch.
Rainer Maria Rilke
I, 22
A nós, nos cabe andar.
Mas o tempo, os seus passos,
são mínimos pedaços
do que há de ficar.
É perda pura
tudo o que é pressa;
só nos interessa
o que sempre dura.
JOvem, não há virtude
na velocidade
e no voo, aonde for.
Tudo é quietude:
escuro e claridade,
livro e flor.
Tradução: Augusto de Campos
IN: CAMPOS, Augusto de. Rilke: poesia-coisa.Rio de Janeiro: Imago, 1994, p. 66-67.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Poesia grega antiga
IX: 569
Pois em verdade eu já fui rapaz, já fui donzela,
fui arbusto, pássaro, ardente peixe do mar.
Empédocles
Tradução: José Paulo Paes
IN: PAES, José Paulo (Seleção, tradução, notas e prefácio). Poemas da Antologia Grega ou Palatina. Séculos VII a.C. a V d.C.São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 21.
Pois em verdade eu já fui rapaz, já fui donzela,
fui arbusto, pássaro, ardente peixe do mar.
Empédocles
Tradução: José Paulo Paes
IN: PAES, José Paulo (Seleção, tradução, notas e prefácio). Poemas da Antologia Grega ou Palatina. Séculos VII a.C. a V d.C.São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 21.
terça-feira, 2 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
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